Desemprego cresce 16% em Braga

É possível ficar do alto da cátedra universitária a contemplar passivamente uma realidade assim? Um número como este é o bastante para nos demonstrar como está ainda longe de se poder considerar uma sociedade democrática, livre e desenvolvida, esta que com tanto esforço continuamos a tentar construir..
Já o pressentíamos. Esmaga-nos, porém, mesmo assim a frieza dum número que amargamente ajuda também a explicar por que são quase sempre desta região os operários que regressam de mãos a abanar das armadilhas de trabalho-escravo na Holanda ou... num caixão, como mais cinco infelizes compatriotas nossos cuja vida a morte ceifou esta madrugada nas estradas de Espanha. Num momento em que só no norte o desemprego continua a aumentar, a sua recente tendência para diminuição no Porto, contrasta bem com a realidade no distrito de Braga.
Tudo isto nos deve pois convocar para com mais humildade e muito mais união procurarmos enfrentar dificuldades que ninguém isoladamente - cidadão ou governante - poderá compreender totalmente, e muito menos resolver. Temos de transcender-nos, ir mais ao fundo de nós buscar as energias, ideias, empenho e imaginação necessárias à passagem de mais este Bojador. Temos que procurar encontrar e "sacar" cá de dentro o melhor de nós e mudar a nossa atitude diante do que outros, à nossa volta, vão também tentando fazer - exactamente aquilo! - esbarrando embora na nossa incompreensão e até resistência) Sempre que nos queixarmos do "sistema", será bom examinarmos até que ponto não nos tornamos para os outros, também nós, "sistema".
Há dez anos decidi prescindir de um pouco (ou muito) de vida própria para criar uma empresa com alunos e dar também algum contributo para abrir novos caminhos para a sociedade portuguesa. Em dez anos aprendi duramente que as dificuldades em "criar uma empresa", sobretudo aquele tipo de empresa de que (como continuo a acreditar) mais precisamos hoje, não são nem de perto nem de longe as dificuldades a que os governos possam responder tão linearmente com iniciativas "crie a sua empresa na hora". São ultrapassaveis, certamente, se percebidas e enfrentadas. Mas não são exactamente aquelas de que muitos "especialistas" académicos (alinhados), consultores (contratados), e políticos (nomeados) sempre falam, num exercício repetitivo de lavagem cerebral colectiva para um pensamento único que, sem convencer já ninguém, todos os dias nos entra em casa por canais de "informação" manipulados.

O primeiro passo para romper este cerco do desemprego, do desencanto e da desmoralização - em que Braga é neste momento a "praça" mais duramente castigada - terá de ser um toque a rebate, senão nos velhos sinos das torres, nos novos sinos da Internet e dos jornais verdadeiramente comprometidos com a verdade e com as pessoas. Será um toque a reunir em Braga - capital e cabeça - para num só Espírito e a uma só voz afirmarmos bem alto e para quem quiser ouvir o que pensamos, o que queremos e o que faremos.
Portugueses de todo o mundo, uni-vos!