sábado, março 18, 2006

Desemprego cresce 16% em Braga

Alguns jornais trazem hoje este triste título: «Desemprego em Braga sobe 16% em apenas um ano»

É possível ficar do alto da cátedra universitária a contemplar passivamente uma realidade assim? Um número como este é o bastante para nos demonstrar como está ainda longe de se poder considerar uma sociedade democrática, livre e desenvolvida, esta que com tanto esforço continuamos a tentar construir..

Já o pressentíamos. Esmaga-nos, porém, mesmo assim a frieza dum número que amargamente ajuda também a explicar por que são quase sempre desta região os operários que regressam de mãos a abanar das armadilhas de trabalho-escravo na Holanda ou... num caixão, como mais cinco infelizes compatriotas nossos cuja vida a morte ceifou esta madrugada nas estradas de Espanha. Num momento em que só no norte o desemprego continua a aumentar, a sua recente tendência para diminuição no Porto, contrasta bem com a realidade no distrito de Braga.

Tudo isto nos deve pois convocar para com mais humildade e muito mais união procurarmos enfrentar dificuldades que ninguém isoladamente - cidadão ou governante - poderá compreender totalmente, e muito menos resolver. Temos de transcender-nos, ir mais ao fundo de nós buscar as energias, ideias, empenho e imaginação necessárias à passagem de mais este Bojador. Temos que procurar encontrar e "sacar" cá de dentro o melhor de nós e mudar a nossa atitude diante do que outros, à nossa volta, vão também tentando fazer - exactamente aquilo! - esbarrando embora na nossa incompreensão e até resistência) Sempre que nos queixarmos do "sistema", será bom examinarmos até que ponto não nos tornamos para os outros, também nós, "sistema".

Há dez anos decidi prescindir de um pouco (ou muito) de vida própria para criar uma empresa com alunos e dar também algum contributo para abrir novos caminhos para a sociedade portuguesa. Em dez anos aprendi duramente que as dificuldades em "criar uma empresa", sobretudo aquele tipo de empresa de que (como continuo a acreditar) mais precisamos hoje, não são nem de perto nem de longe as dificuldades a que os governos possam responder tão linearmente com iniciativas "crie a sua empresa na hora". São ultrapassaveis, certamente, se percebidas e enfrentadas. Mas não são exactamente aquelas de que muitos "especialistas" académicos (alinhados), consultores (contratados), e políticos (nomeados) sempre falam, num exercício repetitivo de lavagem cerebral colectiva para um pensamento único que, sem convencer já ninguém, todos os dias nos entra em casa por canais de "informação" manipulados.


O primeiro passo para romper este cerco do desemprego, do desencanto e da desmoralização - em que Braga é neste momento a "praça" mais duramente castigada - terá de ser um toque a rebate, senão nos velhos sinos das torres, nos novos sinos da Internet e dos jornais verdadeiramente comprometidos com a verdade e com as pessoas. Será um toque a reunir em Braga - capital e cabeça - para num só Espírito e a uma só voz afirmarmos bem alto e para quem quiser ouvir o que pensamos, o que queremos e o que faremos.

Portugueses de todo o mundo, uni-vos!

terça-feira, março 07, 2006

Liberdade de expressão = direito de insultar?

Factos: um ilustrador Dinamarquês desenhou-as, um jornal publicou-as, o público viu-as, o mundo islâmico condenou-as e o mundo tremeu uma vez mais. Depois de muita tinta e algum sangue correr e (quase) tudo ter sido dito e escrito, em que ficamos?

Do lado ocidental paira uma sensação incómoda de que a alternativa é entre o medo e a coragem. O mesmo medo que, diante de qualquer acto de terrorismo islâmico, tem levado muitos a não saír do casulo da auto-flagelação ocidental, sustentando que em última análise o responsável é sempre o próprio ocidente. E a coragem, bem entendido, está toda do lado de quem dá o peito às balas e a empresa às bombas, como oferenda aos deuses laicos da liberdade de imprensa e da liberdade de expressão.

Mas será este o único enquadramento possível para a questão em apreço? As numerosas e constantes manipulações da verdade informativa, a quotidiana subordinação do interesse jornalístico a outros, por essas redacções afora, não deveriam refrear o entusiasmo prosélito de quantos pretendem levantar laicos altares a supostos valores absolutos, por outros ou por eles mesmos diariamente pisados no ocidente? Deus, o Verdadeiro, nos livre da divinização dogmática das "liberdades de imprensa" sem responsabilidade e sem pejo de infundadamente enlamear este nome, crucificar aquele na praça pública, deixar falar A e silenciar B. Foram esses, os alegres e despreocupados abusadores da "liberdade de expressão", os mesmos que hoje clamam aos céus que o silêncio pesado da sociedade atrairá o fim do mundo ocidental tal como o conhecemos - com imprensa corrupta, mistificadora e muitas vezes arbitrariamente censória.

Ensinaram-me que a violência toma muitas formas e é, por princípio, sempre condenável. Publicar caricaturas como aquelas ou as que sabeis contra o grande Papa João Paulo II, é uma violência contra mim. Ofende-me mesmo mais do que um qualquer insulto só contra mim. Custa aceitar isto? Hoje não se pode dar um leve encontrão no autocarro sem pedir logo desculpa, mas por outro lado pode-se insultar toda uma comunidade espiritual sem o mínimo problema, em nome do deus da liberdade de expressão, do direito de insultar.

É claro que uns reagem mais do que outros. É claro que os cristãos estão talvez mais habituados à cruz e ao enxovalho. Talvez não devessem mas o facto é que estão. Do lado do islão muitos não se resignam - respondem e logo metem tudo no mesmo saco. O autor, os nórdicos todos, os cristãos em geral e desata-se a queimar igrejas e embaixadas. Assim se começam guerras, quando se esquece que do lado de cá ainda restam alguns sem medo... e que só esperam uma oportunidade para devolver à proveniência "les arabes"...